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IPCA-15 fica em -0,59% em maio, maior deflação desde o início do Plano Real

Segundo recuo mensal seguido no índice que é uma prévia da inflação oficial foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos combustíveis.

26/05/2020

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) teve deflação de 0,59% em maio, segundo divulgou nesta terça-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril, o indicador – que é considerado uma prévia da inflação oficial – já havia registrado deflação de -0,01%.

Trata-se da deflação mais intensa desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,35% e, em 12 meses, de 1,96%, bem abaixo dos 2,92% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores e do centro da meta de inflação para este ano, que é de 4%.

Segundo o IBGE, a queda do preço da gasolina (-8,51%) foi o item que apresentou o maior impacto no resultado do mês, respondendo sozinho por -0,41 ponto percentual no índice geral.

A retração de 8,54% dos combustíveis também foi influenciada pela queda nos preços do etanol (-10,40%), do óleo diesel (-5,50%) e o gás veicular (-1,21%).

5 do 9 grupos registraram deflação

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, 5 apresentaram deflação em maio, com destaque para Transportes (-3,15%) e Habitação (-0,27%).

No lado das altas, o destaque mais uma vez ficou com Alimentação e bebidas (0,46%), embora tenha havido desaceleração em relação à alta de preços em abril (2,46%).

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados pelo IBGE:

Alimentação e bebidas: 0,46%
Habitação: -0,27%
Artigos de residência: 0,45%
Vestuário: -0,20%
Transportes: -3,15%
Saúde e cuidados pessoais: -0,13%
Despesas pessoais: -0,09%
Educação: 0,01%
Comunicação: 0,22%

Alimentos ficaram mais caros

Os alimentos para consumo dentro de casa ficaram em média 0,60% mais caros em maio, segundo o IBGE. Entre os itens com as maiores altas, destaque para cebola (33,59%), batata-inglesa (16,91%), feijão-carioca (13,62%), o alho (5,22%) e o arroz (2,59%).

Por outro lado, os preços da cenoura, que haviam apresentado alta de 31,67% em abril, caíram 6,41%. Já as carnes (-1,33%) acentuaram a queda em relação ao mês anterior (-0,27%).

A alimentação fora do domicílio, que inclui os serviços de delivery, subiu 0,13%, mas desacelerou na comparação com a alta verificada em abril (0,94%), especialmente por conta do lanche (0,64%), cujos preços haviam subido 3,23% no mês anterior.

Energia mais barata, eletrodoméstico mais caros

Nos artigos de residência, chamou a atenção a alta nos preços dos itens de tv, som e informática (2,81%) e dos eletrodomésticos e equipamentos (0,89%).

No grupo Habitação, a maior contribuição para a deflação em maio veio da energia elétrica (-0,72%).

Outras quedas significativas no mês foram observadas nos itens passagens aéreas (- 27,08%), gás de botijão (-1,09%) e gás encanado (-0,36%).

Expectativa de inflação abaixo de 2% em 2020

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e também do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, os analistas do mercado financeiro reduziram, de 1,59% para 1,57%, a estimativa de inflação para 2020. Foi a 11ª redução seguida do indicador.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está atualmente em 3% ao ano – mínima histórica.

O mercado segue prevendo corte na taxa básica de juros neste ano. A previsão dos analistas para a taxa Selic, no fim de 2020, segue em 2,25% ao ano.

Fonte: G1

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