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Fraudes e usuário dado como 'morto' são alguns dos problemas enfrentados na busca pelo auxílio emergencial em Goiás

De mulher viva com 'registro de falecimento' no sistema a pessoas que receberam o dinheiro, mas tiveram valor sacado por golpistas, acesso ao benefício tem sido martírio para alguns no estado. PF e Caixa acompanham casos.

Após mais de dois meses do início dos pagamentos do auxílio emergencial, vários goianos seguem tendo problema para receber o benefício. Os problemas são os mais variados. Vão desde denúncias de fraudes a registro no sistema da Caixa de que o postulante aos R$ 600 está morto. O banco e a Polícia Federal acompanham os casos.

A informação de óbito aconteceu com a professora Danielle Maria de Almeida Barbosa. Viva, ela se assustou ao ver que a justificativa para ter o benefício negado foi de “cidadã com registro de falecimento”.

“Falei ‘gente, como assim?’ Estou viva, estou aqui. Não tem como”, desabafa.

Por conta da pandemia, ela está morando de favor na casa da avó e disse não saber mais a quem recorrer diante das dificuldades.

“Muito difícil manter e ainda acontece isso. Uma coisa que eu tenho direito para receber e não estou recebendo”, lamenta.

Uma outra professora, que preferiu não se identificar, disse que teve o auxílio negado por constar que ela está trabalhando. No entanto, o contrato com a Prefeitura de Goiânia que ela tinha, foi cancelado.

“Dificuldade em tudo porque não é só o alimento. Tem água, tem energia, tem internet. Enfim, tem outras coisas também. Então a gente tá nessa esperança que vai conseguir”, afirma.

Denúncias de fraude

Além disso, outras pessoas denunciam que foram vítimas de fraude após receberem o pagamento da parcela. Edivânia Gonçalves Silva passou por essa situação.

“Estive na Caixa Econômica no dia 3 de junho e quando fui fazer o saque do meu auxílio emergencial, estava zerado. Procurei o atendente e o mesmo disse que foi pago um boleto de R$ 600 do meu auxílio, mas eu não fiz pagamento porque não tive acesso à conta digital. O funcionário disse que não podia fazer nada. Fiz uma ocorrência policial e levei ao banco no dia seguinte. Até agora estou aguardando sem o dinheiro e com medo desses estelionatários com meus dados”, conta.

Outro homem, que prefere manter o anonimato, disse que chegou a receber os R$ 600 na conta da Caixa Tem, mas que dias depois, ele foi transferido para outra conta que ele desconhece e seu saldo ficou zerado.

“Eu tomo o maior cuidado do mundo para acessar somente aplicativos e sites oficiais e não clicar em nada suspeito. Se esse dinheiro foi para conta de algum golpista ele conseguiu acesso à minha conta e transferir esse dinheiro através do sistema da própria Caixa”, salienta.

Ele registrou ocorrência e está no aguardo de uma resolução. Porém, até lá, segue com dificuldades.

“Sem ajuda de outras pessoas ou se você não tiver alguma reserva, você realmente passa fome”, afirma.

Uma mulher disse que tentou acessar o aplicativo, mas descobriu que o CPF já tinha sido cadastrado e que, ao tentar recuperar a senha, ela percebeu que o email usado para a conta é de uma pessoa que ela sequer conhece.

Investigação

O delegado da Polícia Federal Franklin Medeiros afirmou que já recebeu inúmeras denúncias para registro de ocorrência de fraudes no auxílio. Ele explicou que a fragilidade do sistema de identificação facilita golpes e contou como é a forma que os golpistas vem atuando.

“Essas fraudes que estão ocorrendo no benefício do auxílio emergencial apenas evidenciam a necessidade que a sociedade tem de promover um cadastro único nacional de identificação. O fato de termos 27 estados federados com 27 estados de identificação e um cidadão fazer sua identificação exclusivamente por meio de uma cédula de identidade que é facilmente falsificável, dá azo a esse tipo de crime”, afirmou.

“O mais comum são falsários ter acesso a banco de dados de empresas onde possuem cópias das identidades dos verdadeiros beneficiários. Esses falsários falsificam as cédulas de identidade colocando a sua foto, comparecendo a agência bancária munido de um CPF com número verdadeiro, mas materialmente falso e consegue fazer o saque”, completa.

Em nota, a Caixa disse que atua apenas como agente pagador do auxílio e que não participa ou interfere no processo de avaliação dos critérios de elegibilidade.

Afirmou ainda, sobre as questões de segurança, que tem uma equipe especializada para monitorar e prover segurança para os serviços digitais do banco e que atualmente o celular é o canal mais seguro para a realização de transações, porém as maiores fragilidades estão nos acessos a sites, mensagens ou aplicativos falsos.

Fonte: G1 Goiás / Publicado em 13/06/2020 11h49

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