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Banco Central reduz previsão de entrada de investimento no país em 8,3%

Conforme dados do Relatório de Inflação, estimativa para o fluxo de IDP passou de US$ 60 bilhões, em março, para US$ 55 bilhões, em junho

25/06/2020

Após finalmente admitir queda no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, o Banco Central reduziu a previsão de entrada de investimentos no país devido aos impactos negativos da pandemia de covid-19.

De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira (25/6), as novas projeções do BC para o fluxo de investimento direto no país (IDP), passaram de US$ 60 bilhões para US$ 55 bilhões, queda de 8,3% em relação à previsão de março.

“Esses impactos, além da taxa de câmbio menos favorável, devem também afetar negativamente os investimentos diretos no exterior, ocasionando revisão para desinvestimentos líquidos de US$ 13,0 bilhões em 2020, ante expectativa de neutralidade no Relatório de Inflação de março”, informou o Banco Central.

No novo relatório, o BC passou a prever queda de 6,4% no PIB deste ano. De acordo com a autoridade monetária, os fluxos de IDP somaram US$ 22,2 bilhões nos cinco primeiros meses de 2020, “uma redução de US$ 9,5 bilhões em relação ao mesmo período de 2019”.

No ano passado, o saldo no balanço de pagamentos ficou negativo em US$ 49,5 bilhões, com a entrada de investimento direto totalizando US$ 78,6 bilhões, dado suficiente para cobrir com folga o deficit em conta-corrente.

Deficit em conta-corrente menor

Apesar da queda na projeção do IDP, o BC tentou mostrar um certo otimismo ao reduzir a previsão de deficit em no balanço de pagamentos do país com o mundo. As novas estimativas passaram para saldo negativo de US$ 13,9 bilhões, o equivalente a 1% do PIB. No relatório anterior, de março, o deficit estimado era de US$ 41 bilhões.

“Foram determinantes para essa revisão os efeitos econômicos da covid-19, que contribuíram para a desaceleração do comércio global, bem como para redução na projeção de crescimento do PIB doméstico para 2020 e para deterioração do ambiente de investimento internacional”, informou o documento.

Em março, a previsão era de estabilidade no PIB em relação a 2019. De acordo com dados do RTI, entre janeiro e abril, o deficit em conta-corrente somou US$ 11,9 bilhões.  No mesmo período de 2019, esse saldo estava negativo em US$ 17 bilhões. Contudo, os dados mais atualizados do BC divulgados ontem revelam que, no acumulado de janeiro até 19 de junho, o deficit em conta-corrente aumentou para US$ 12,6 bilhões.

Essa nova previsão para o saldo do balanço de pagamentos que consta no RTI considera um superavit comercial de US$ 39 bilhões, dado próximo o saldo positivo de US$ 40,8 bilhões na balança comercial de 2019. A projeção anterior, no relatório de março, era de um superavit de US$ 33,5 bilhões. O otimismo ficou maior na previsão para o saldo da conta financeira, com a redução do deficit de US$ 40,6 bilhões para US$ 11,6 bilhões. No relatório, o BC admite um câmbio mais depreciado, mas as projeções para a inflação estão considerando o dólar abaixo de R$ 5, de R$ 4,95.

Resta saber se o fluxo de saída de investidor estrangeiro deverá dar uma arrefecida como os técnicos do BC preveem, pois o deficit na conta financeira no acumulado do ano até 19 de junho já soma US$ 37,3 bilhões.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

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